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terça-feira, 1 de maio de 2012

Principais características do desenvolvimento da criança nos seus primeiros anos de vida.

As características mostradas são as mais comuns para cada faixa etária. É normal que a criança apresente um ou outro aspecto adiantado ou atrasado em relação à tabela de desenvolvimento, e isto vai depender essencialmente dos estímulos que a criança recebe no seu dia a dia, por isto, é imprescindível que os pais saibam como estimular seus filhos e também que o desenvolvimento da criança seja acompanhado pelo pediatra e/ou profissionais especializados.

Faixa EtáriaAções que realizaComportamentoComo se comunica
0 a 3 mesesNo primeiro mês, reage perante barulhos muito altos e pode se assustar com barulho inesperado.

Passa boa parte do tempo dormindo.

Seu sistema visual é limitado, portanto só enxerga algum objeto ou alguém se estiver bem próximo a ele.

No 2º ao 3º mês, o bebê já começa a acompanhar objetos e pessoas com os olhos e reconhece os pais.

Abre e fecha as mãos,  leva-as à boca e suga os dedos.

Segura objetos com firmeza por certo tempo e consegue pegar objetos suspensos.
Desenvolve um tipo diferente de choro para cada problema que se apresenta, como por exemplo, o constante e agudo.

Com brincadeiras e músicas o bebê fica agitado, realizando movimentos de pernas, braços, sorri e dá gritinhos.
Quando ouve a voz dos pais, o bebê vira a cabeça.

Comunica-se através do choro e ruídos. Imita alguns sons de vogal.

Nesta fase, é importante organizar a rotina do bebê, tornando os horários das atividades fixos, como por exemplo, trocar a fralda depois da mamada ou dar banho todos os dias na mesma hora.

É importante que a rotina seja de forma razoavelmente metódica.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
4 a 7 mesesFica na postura de bruços e se apóia nos antebraços quando quer ver o que está acontecendo ao seu redor.Rola de um lado para o outro.

Estende a mão para alcançar o objeto que deseja, transfere-o de uma mão para outra e coloca-o na boca.

Apresenta equilíbrio quando colocado sentado.
Ri quando algo o agrada e quando o desagrada mostra raiva através da expressão facial.

Nesta fase, alguns bebês podem demonstrar medo perante pessoas estranhas.

Fica repetindo os seus próprios sons e imita as vozes das pessoas ao seu redor
Movimenta a cabeça na direção do som escutado.
Pára de chorar ao ouvir música.

Sorri quando quer atenção do adulto.

Formação do conceito de causa e efeito no momento em que está explorando um brinquedo.

Olha, chacoalha, e atira objetos ao chão.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
8 a 11 mesesEngatinha e senta sem apoio.

Consegue ficar em pé com apoio.

Aponta para objetos ou pessoas.

Pega pequenos objetos com o indicador e o polegar
Demonstrar raiva quando não é o centro das atenções.

Reconhece sua imagem no espelho e reage com euforia.

Reclama quando é contrariado.
Localiza a fonte sonora.

Bate palmas, joga beijo e entende quando lhe dizem tchau.

Começa a compreende o significado  de alguns gestos.

Balança a cabeça quando não quer alguma coisa.

Fase do treino com monossílabos do tipo: “ma-ma”, “da-da”, “ne-ne”.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
1 a 2 anosAnda sem apoio.

Com 1 ano e 6 meses pode começar a correr, subir em móveis e ficar nas pontas dos pés sem apoio.

Vira páginas de um livro ou revistas (várias ao mesmo tempo).

Gosta de rabiscar no papel.

Sabe quando uma ilustração está de cabeça para baixo.
Mostra senso de humor.

Nesta fase, o bebê ainda não compreende as regras, contudo chora quando leva uma bronca e sorri quando é o centro das atenções ou quando é elogiado.

Quando está bravo, pode atirar objetos ou brinquedos.

É possessivo. Prefere não compartilhar brinquedos com as outras crianças.
Reconhece o próprio nome.

A partir dos 18 meses  começa a criar frases curtas.

A criança começa a formar frases com uma palavra só, tipo “nenê-papá, nenê-naná”, mas até o término do ano constrói frases de até três palavras como: “quer ver tevê”.

Esta é a fase das perguntas: “que é isso?”

Usa o próprio nome.

Reconhece as partes do seu corpo e de outras pessoas.

Apresenta atenção para histórias pequenas.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
2 a 3 anosTira os sapatos.

Chuta bola sem perder o equilíbrio.

Gosta de dançar, consegue acompanhar o ritmo da música batendo palmas.

Nesta fase a criança está pronta para abandonar o uso das fraldas.
Apresenta percepção de quem é.

Mexe em tudo e faz mal criação, testa a autoridade.

Tenta impor suas vontades.

Prefere companhia para brincar.

Gosta de participar dos serviços de casa, como por exemplo arrumar a mesa do jantar.
As frases vão aumentando e surge o plural.

As crianças nesta fase tem uma ótima compreensão, entendem tudo que é dito em sua volta.

Pergunta: "cadê", "O que", "onde".

Fala de si mesma na 3a. pessoa.

Chama familiares próximos pelo nome.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
3 a 4 anosConsegue colocar suas roupas e tirá-las sem ajuda de um adulto.

Gosta de desenhar.

Nesta fase já consegue segurar um  lápis na posição correta.

Consegue pedalar.
Brinca com as outras crianças.

Apresenta interesse pelos sentimentos das pessoas que estão ao seu redor, por exemplo, se perceber que seu pai está triste, procura confortá-lo.
Constrói frases com até seis palavras, sobre o dia a dia, situações reais e pessoas próximas.

Compreende a existência de regras gramaticais e tenta usá-las.

É comum a troca do '"r" pelo "l", a qual acaba por volta dos 3 anos e 6 meses.

Compreende os conceitos de igual e diferente.

É capaz de separar os brinquedos por tamanho e cor.

Lembra e conta histórias.

Ações que realizaComo ReageComo se comunica
4 a 5 anosConsegue usar a tesoura, corta papel.

Maior domínio no uso de talheres.

Consegue pegar a bola com as duas mãos quando está em movimento.
Está mais sociável com as outras crianças.

Se sente grande perto das crianças menores.

Sente vontade de tomar as suas próprias decisões.
Nesta fase o vocabulário da criança aumentou bastante, já fala muitas palavras.

Expressa seus sentimentos e emprega verbos como “pensar” e “lembrar”.

Também fala de coisas ausentes e usa palavras de ligação entre as sentenças, como por exemplo:  “e então”, “porque”, “mas”, etc.

Gosta de inventar e contar as próprias histórias.

Consegue identificar algumas letras do alfabeto e números.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

É hora de dormir!!!

 As horas corretas de sono são importantes para a liberação do hormônio do crescimento. Crianças que seguem os horários dos adultos  e dormem pouco correm o risco de ter sérios problemas de desenvolvimento.

Isso ocorre porque o hormônio do crescimento é liberado nas fases mais profundas do sono. Quem tem sono ruim, na quantidade ou na qualidade, tende a ter déficit de crescimento. As horas de sono necessárias variam conforme a idade. Um recém-nascido, que está com o sistema nervoso em amadurecimento, precisa dormir até 20 horas diárias. Uma criança de três anos deve dormir 10 ou 11 horas durante a noite e tirar uma soneca no dia.
Não basta dormir o número de horas indicado, é preciso também ir para a cama na hora certa. O ideal é que as crianças pequenas se deitem entre as 19h30 e as 20h30. Certos hormônios só são liberados adequadamente no organismo quando se está acordado durante o dia e se dorme durante a noite. Há crianças que ficam acordadas até a meia-noite. Isso é muito prejudicial à saúde das crianças. Evidências científicas ligam a falta de sono a um maior risco de obesidade, diabete, doenças cardiovasculares e infecções.
A maneira mais fácil de perceber se a criança está dormindo pouco é observar como ela acorda. Quando está cansada, ela reluta a sair da cama e na primeira oportunidade que tem, ela encosta e dorme. Isso ocorre muito no trajeto da casa à escola, dentro do carro. Essas crianças podem ficar hiperativas e ter dificuldade de concentração. Também costumam ficar irritadiças e até agressivas. E, ao contrário do que ocorre com os adultos, tomar uma xícara de café não resolve o problema do sono.
Além dos benefícios à saúde, colocar o filho para dormir sempre na mesma hora é importante para o desenvolvimento psicológico da criança. É importante que a criança saiba que num momento ela vai tomar banho, depois pôr o pijama, depois jantar, depois brincar, depois escovar os dentes e depois dormir. Quando sabe o que vai acontecer depois, ela ganha segurança. É por isso que muitas crianças assistem ao mesmo desenho 20 vezes.
Se a mãe souber todas estas informações será muito mais fácil transmitir estas rotinas e necessidades ao filho. Acontece que muitos pais querem ficar mais tempo com os filhos, isto é legítimo e necessário, porém são os pais que devem se adaptar aos horários dos filhos e não vice-versa. Ser pai ou mãe, não significa dar afeto somente, significa colocar limites e promover rotinas saudáveis.
A criança deve dormir na mesma hora e ter seus "rituais" noturnos. Perto da hora de dormir, a família deve começar a apagar as luzes da casa e, se os pais forem ficar acordados, o volume da televisão deve ser baixado. Deve-se evitar atividade física antes de dormir, como brincar de luta, porque isso deixa a criança agitada. Refeições pesadas à noite devem ser evitadas. Às vezes ler uma história na hora de dormir é algo que as crianças gostam e reforça o vínculo com os pais.
Frequentemente a criança tem pesadelos a noite, especialmente por volta dos 3 a 5 anos. Os pais precisam tranquilizá-la levá-la para a cama, e se necessário ficar com ela até que volte a dormir.
A maioria das crianças tem o hábito de querer dormir com os pais,  e eles acabam cedendo nas primeiras vezes, mas isso não pode se tornar uma rotina. A solicitação da criança de dormir com os pais ocorrem em muitas famílias. "Quero dormir com vocês!" Este apelo precisa ser visto num primeiro momento como natural, como um não querer se desprender dos pais, ficar um tempo mais acordado, ter medo do escuro e assim por diante. Acontece mais entre 2 e 5 anos. O importante é que os pais aos poucos os orientem de forma tranqüila e firme, dizendo-lhes que da mesma forma que a criança tem objetos de uso pessoal, como escova de dente, talheres, ele também tem sua cama.
Para um melhor desenvolvimento infantil é necessário que os filhos tenham seu próprio espaço, ou seja, sua cama, seus objetos, seus brinquedos e que adquiram suas responsabilidades e autonomias de acordo com a idade, como escovarem os dentes, se alimentarem, se vestirem, tomarem banho e com o passar dos anos saírem sozinhos de casa. A partir desta idade, à medida que a criança vai crescendo é importante ser mais firme e não permitir que ele fique com os pais.
Se os pais cedem às vezes e não outras, isto deixará a criança confusa. Acontece muito em filhos únicos, nas famílias onde não há outras crianças e ele se sente sozinho, como excluído desta vida que os pais têm a dois na cama. A "vida dos pais na cama" é dos pais, não dos filhos, há situações nas quais uma criança não pode ser incluída e ela precisa apreender isto.
Algumas crianças trocam a noite pelo dia. Na fase pré-escolar e até a puberdade é preciso compreender porque a criança trocou a noite pelo dia. Às vezes as mudanças de pais, as viagens longas, as diferenças no fuso horário interferem na rotina do sono. É importante recuperar a rotina do sono avaliando o que fez afetá-la desta forma.
(Maria Cristina Capobianco) 

domingo, 22 de abril de 2012

Curiosidade é uma coceira de idéias - Rubem Alves


Eu estava com a cabeça quente. Queria descansar, parar de pensar. Para parar de pensar nada melhor que trabalhar com as mãos. Peguei minha caixa de ferramentas, a serra circular e a furadeira e fui para o terceiro andar, onde guardo os meus livros.
Iria fazer umas estantes. As tábuas já estavam lá. Nem bem comecei a trabalhar de carpinteiro e fui interrompido com a chegada da faxineira. Com ela, sua filhinha de 7 anos, Dionéia. Carinha redonda, sorriso mostrando os dentes brancos, trancinhas estilo afro.
O que se era de esperar numa menina da idade dela era que ela ficasse com a mãe. Não ficou. Preferiu ficar comigo, vendo o que eu fazia. Por que ela fez isso? Curiosidade. Curiosidade é uma coceira que dá nas idéias... Aquelas ferramentas e o que eu estava fazendo a fascinavam. Ela queria aprender.
‘O que é isso que você tem na mão?‘, ela perguntou. ‘É uma trena‘, respondi. ‘Para que serve a trena?, ela continuou. ‘A trena serve para medir. Preciso de uma tábua de um metro e vinte. Assim, vou medir um metro e vinte. Veja!‘
Puxei a lâmina da trena e lhe mostrei os números. Ela olhou atentamente. ‘Você já sabe os números?‘, perguntei. ‘Sei‘, ela respondeu. Continuei: ‘Veja esses números sobre os risquinhos. O espaço entre esses risquinhos mais compridos é um centímetro. Um metro tem cem centímetros, cem desses pedacinhos. Veja que de dez em dez centimetros o número aparece escrito em vermelho. É que, para facilitar, os centímetros são amarrados em pacotinhos de dez. Um metro é feito com dez pacotinhos de dez centímetros.. Um metro e vinte são dez desses pacotinhos, para fazer um metro, mais dois, para completar os vinte centímetros que faltam‘. Marquei um metro e vinte na tábua com um lapis me preparei para riscar a tábua.
Assim se iniciou uma das mais alegres experiências de ensino e aprendizagem que tive na minha vida. A Dionéia queria saber de tudo. Não precisei fazer uso de nenhum artifício de “motivação” para que ela estivesse motivada. O que a motivava era o fascínio daquilo que eu estava fazendo e das ferramentas que eu estava usando. Seus olhos e pensamentos estavam coçando de curiosidade. Ela queria aprender para se curar da coceira... Os Gregos diziam que a cabeça começa a pensar quando os olhos ficam estupidificados diante de um objeto. Pensamos para decifrar o enigma da visão. Pensamos para compreender o que vemos. E as perguntas se sucediam. Para que serve o esquadro? Como é que as serras serram? Porque é que a serra gira quando se aperta o botão? O que é a eletricidade?
Lembrei-me de Joseph Knecht, o mestre supremo da ordem monástica ‘Castália‘, do livro de Hermann Hesse ‘O jogo das contas de vidro‘. Velho, ao final de sua carreira, no topo da hieraquia dos saberes, ele se viu acometido por um enfado sem remédio com tudo aquilo e passou a sentir uma grande nostalgia: queria descer da sua posição para fazer uma coisa muito simples: educar uma criança, uma única criança, que ainda não tivesse sido deformada pela escola. Pois ali estava eu, vivendo o sonho de Joseph Knecht: a Dionéia, que ainda não fora deformada pela escola. Seu rosto estava iluminado pela curiosidade e pelo prazer de entrar num mundo que não conhecia.
Lembrei-me da afirmação com que Aristóteles inicia a sua Metafísica: ‘Todos os homens tem, por natureza, um desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até de sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas e, mais que todas as outras, as visuais...‘
Acho que Aristóteles errou. Isso não é verdade dos adultos. Os adultos já foram deformados. Acho que ele estaria mais próximo da verdade se tivesse dito: ‘Todos os homens, enquanto crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer...‘
Para as crianças o mundo é um vasto parque de diversões. As coisas são fascinantes, provocações ao olhar. Cada coisa é um convite.
Aí a Dioneia sumiu. Pensei que ela tivesse voltado para a mãe. Engano. Alguns minutos depois ela voltou. Estivera examinando uma coleção de livros. ‘Sabe aqueles livros, todos de capa parecida? Os três primeiros livros estão de cabeça para baixo.‘ Retruquei: ‘Pois ponha os livros de cabeça para cima!‘
Ela saiu e logo depois voltou. ‘Já pus os livros de cabeça para cima.‘ E acrescentou: ‘Sabe de uma coisa? O livro com o número 38 está fora do lugar.‘ Aí aconteceu comigo: fui eu quem ficou estupidificado...Ela, que não sabia escrever, já sabia os números. E sabia mais, que os números indicam uma ordem.
Fiquei a imaginar o que vai acontecer com a Dionéia quando, na escola, os seus olhinhos curiosos vão ser subtraídos do fascinio das coisas do mundo que a cerca, e vão ser obrigados a seguir aquilo a que os programas obrigam. Será possível aprender sem que os olhos estejam fascinados pelo objeto misterioso que os desafia?
Pois sabe de uma coisa? Acho que vou fazer com a Dionéia aquilo que Joseph Knecht tinha vontade de fazer...

sábado, 21 de abril de 2012

21 dicas para lidar com as birras - Não é fácil manter a calma nessas horas, mas algumas coisas podem ajudar!


21 dicas para lidar com as birras
Seu filho não está com fome, nem sono, nem nenhum outro desconforto, mas continua a chorar e se espernear. Seja porque foi contrariado ou só para chamar a atenção mesmo, toda criança faz birra em algum momento. Se seu pequeno te tira do sério, respire fundo, conte até dez (vinte, trinta...) e veja as 21 dicas que elaboramos junto com nossas leitoras para ajudar a restabelecer a ordem e dar fim ao show.
1. A primeira dica é bem básica mesmo: verifique se não tem algo realmente incomodando a criança, como sono, fome, frio, calor, dentes, dores e desconfortos em geral. Faça o check-up e, se identificar alguns dos fatores acima, tente resolvê-los.
2. Manter a calma e passar isso à criança ainda é o melhor jeito de lidar com as birras. Olhe nos olhos do pequeno, fale devagar e em um tom suave, mostrando que o comportamento dele não atinge o seu. Se o motivo para o show for querer chamar a atenção, tudo estará resolvido e sem você precisar se descabelar.
3. Mas se o motivo for uma implicância com outra criança pelo mesmo brinquedo, divida o tempo que cada uma passará com o mimo. Mas cronometre esse tempo e estipule um intervalo relativamente curto, que permita ao pequeno curtir o brinquedo, mas sem deixar a outra criança esperando muito tempo por ele. 
4. Dica da leitora Ana Marusia, do blog “Mãe Perfeita”. Em um acesso de raiva, não subestime, nem ridicularize a ira do pequeno. Ao invés de dizer “Está com raivinha, é?” ou “Ai, que mêda!”, prefira: “Olha, você tem todo o direito de estar com __________ (raiva, medo, frustração, chateação, ciúme, etc). Mas não pode machucar ninguém, nem se machucar”.
5. Mas apenas dizer não é o suficiente. É importante que a criança saiba que seus atos terão conseqüências, por menores que sejam. Nossa leitora Ana Marusia exemplifica: “Rabiscou ou rasgou o dever de casa? A criança vai ter que explicar à professora. Quebrou o brinquedo? Não vai ter reposição”.
6. Se o pequeno fez cara feia para alguma coisa, mande-o para o quarto dele e só o deixe sair de lá quando for capaz de esboçar um sorriso sincero. Não é tão fácil assim quando se está bravo ou chateado... 
7. Dica da leitora Carina Schwartzman. Dê um banho no pequeno. Na hora da birra pode ser um pouco complicado, mas em situações de estress, nada melhor do que um bom banho relaxante, principalmente se estiver perto da hora de dormir... Ele com certeza vai se acalmar.
8. Ensine seu filho a reconhecer os tons de voz que ele usa. Nomeie todos eles, como reclamão, alegre, atrevido, amoroso... Na hora da birra, mostre que ele está usando um tom que você não gosta. Reconhecer suas próprias entonações é um passo importante para um pedido de desculpas. 
9. Para evitar contestações do tipo “Por que eu tenho que fazer isso?”, crie uma rotina para a criança e envolva a família inteira nessa. É importante o pequeno ter certos “deveres diários” e entender que aquilo deve ser feito para que ele contribua com a família.
10. Em qualquer situação, ao invés de dizer “não”, tente fornecer alternativas para a criança. Responda, por exemplo, que ela pode assistir TV assim que guardar os brinquedos ou que pode comer chocolate depois de jantar. Use sempre o “sim” nesse casos, junto com a condicional. 
11. Se o choro não para, procure alguma coisa que acalme o seu filho. Os sons são bons aliados nessa hora, desde o barulho do aspirador de pó até uma música clássica.
12. No carro, o recurso sonoro também pode funcionar muito bem e evitar reclamações, principalmente no caso de viagens longas. E não precisam ser só músicas, CDs de histórias também costumam entreter as crianças. Se seu carro não tiver aparelho de som, experimente cantar junto com o pequeno.
13. Na hora de dormir, uma boa estratégia para o pequeno parar na cama sem espernear é dar a ele uma sacola e dizer que a cada noite que ele se deitar sem fazer birra, aparecerá uma surpresa dentro dela na manhã seguinte. Pequenos brinquedos, guloseimas ou mesmo uma foto do parque que vocês visitarão naquele dia ou do amigo que ele vai encontrar podem te ajudar a cumprir essa promessa. 
14. Outra boa dica para colocar a criança na cama é deixá-la escolher o máximo possível as pequenas tarefas que antecedem esse momento. Por exemplo, sempre pergunte: “Qual perna vai primeiro no pijama, direita ou esquerda?”; “Quantos minutos você quer que eu fique do seu lado, três ou cinco?”; “Deixo a porta só um pouquinho aberta ou bastante?”. Se sentindo no controle da situação, o pequeno poderá relutar menos. 
15. Dica da leitora Daniela Serres. Ao invés de colocar a criança de castigo ou no “cantinho da disciplina”, experimente fazer isso com um brinquedo querido dela. O prazo para o mimo ficar separado da criança deve variar conforme o tipo de birra feita.
16. Mudar o ambiente gera novas distrações para as crianças. Se seu filho está resmungando dentro de casa, por exemplo, diga para ele ir dar uma volta, nem que seja somente até o quintal. 
17. Na hora de fazer compras no supermercado, ocupe as crianças o suficiente para que elas não tenham tempo de ficar pedindo coisas. Deixe que elas peguem os produtos nas prateleiras, por exemplo, coloquem tudo no carrinho de um jeito bem ajeitado e deem um “ok” na lista.
18. Quando a briga é entre duas crianças, uma boa saída é fazê-las darem três abraços uma na outra. E se elas aproveitarem a oportunidade para se beliscarem, apertarem ou se machucarem de alguma forma, cinco minutos no sofá com as mãos dadas podem fazê-las pensar duas vezes antes de discutirem por bobeira. 
19. Com crianças de até dois anos de idade, é mais difícil descobrir o motivo da birra, quando há um. É comum elas se sentirem frustradas por não conseguirem dizer aos pais o que querem. Tente usar sinais e palavras-chaves com seu pequeno nessas horas, como “mais”, “fralda”, “leite”, “cansado”, etc.” 
20. Pode ser a última coisa que você deseja fazer, mas abraçar seu pequeno com força na hora da birra pode ser uma boa saída. Abraçar firme e sem dizer nada, apenas para demonstrar à criança que você está ali com ela e que a ama, mesmo que na situação presente você não esteja concordando com ela. Isso transmite segurança. 
21. Se não conseguir mesmo evitar a birra, tem uma dica bem simples, mas nem tão fácil assim de ser seguida: ignore a criança. Tentar explicar as coisas para ela nessa hora não vai adiantar em nada e pode até piorar as coisas. É como tentar ensinar a nadar uma pessoa que está se afogando. Qualquer conversa deve esperar a birra passar, então, vire as costas e saia andando.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Autoestima e Limites - Tânia Zacury

Autoestima (autoimagem ou amor próprio) é a forma pela qual o indivíduo percebe seu próprio eu. É o sentimento de aceitação da sua maneira de ser. Se a pessoa se percebe de forma positiva, valorizando suas características, dizemos que tem autoestima elevada ou positiva. Se há inconformidade entre o que é e o que gostaria de ser, diz-se que tem baixa autoestima ou autoestima negativa. Indivíduos com baixa autoestima têm possibilidades maiores de apresentar problemas como depressão e insucesso profissional, entre outros. O risco de fazerem uso de drogas e tornarem-se dependentes químicos é também mais elevado. Em geral também são mais manipuláveis e com mais facilidade cedem às pressões de grupos aos quais desejam pertencer. Daí porque, dentre as medidas de prevenção ao uso de drogas, inclui-se hoje o trabalho no sentido de melhorar a autoestima.

Desde pequena, a criança - através das experiências vivenciadas - vai incorporando idéias sobre si que influenciarão atitudes posteriores. Pais e professores têm peso na formação do conceito, embora não sejam os únicos. Mesmo pequena, uma criança pode se sentir menosprezada quando não levam em consideração seus sentimentos, se não é ouvida com atenção, caso sem nenhum motivo, lhe dão ordens aos gritos, e ainda quando não há respeito mínimo pela sua pessoa. Portanto, o primeiro passo para avaliar até que ponto tratamos com respeito nossos alunos é avaliar tomando por base os itens acima, Muitas pessoas relacionam-se com os vizinhos e amigos com educação e deferência, mas não fazem o mesmo com as crianças. 
Quem deseja fortalecer a autoestima de uma criança deve considerar outro elemento fundamental: descobrir e ressaltar as qualidades de cada um, evitando, o mais possível, comparações – especialmente as desabonadoras - com outras crianças. Todos nós temos, desde a infância, características de personalidade que nos diferenciam e individualizam. É claro que determinados traços – a capacidade de fazer cálculos matemáticos com rapidez, por exemplo - são valorizados e tidos como qualidades, enquanto que outros – a timidez, por exemplo – são encarados como “defeitos”. Se os adultos que convivem com a criança passam a maior parte do tempo, ressaltando aquilo que a sociedade convencionou chamar de “defeito”, ela começa a se ver como incompleta ou incapaz, o que, sem dúvida, irá contribuir muito pouco para que tenha autoestima elevada. Se, ao contrário, as qualidades e virtudes são ressaltadas e devidamente estimuladas, a possibilidade cresce bastante. 

Confiar na criança é também essencial. Se seu filho/aluno lhe relata algo e, em seguida, você vai “tirar a limpo” o fato, é claro que ele sentirá que não acreditam nele. A criança reflete a imagem que os pais/professores têm dela. Se não lhe dão crédito, tende também a não crer em si. Além disso, é preciso demonstrar confiança na capacidade de ela realizar aquilo a que se propõe. Se a criança diz que vai fazer uma pintura para a vovó e é estimulada alegre e confiantemente (“Ah, sim, faça isso... você pinta lindamente e sua avó vai ficar orgulhosa!”), acreditará na sua capacidade. O mesmo se dá com os professores.
Outro fator importante é não criar expectativas exageradas. Quer dizer, se, desde pequeno, você começa a dizer para seu filho, a família e os vizinhos, tudo que “ele vai ser quando crescer” pode estar ativando um nível de metas que a criança nem sempre se sente capaz de alcançar, tornando-a ansiosa “por fazer coisas sensacionais”. As realizações simples do dia a dia - que, aliás, deveriam ser metas suficientes para todos - como passar de ano, tirar notas boas, ter um bom emprego e uma relação afetiva feliz, acabam obliteradas pelo desejo, por exemplo, de ser o melhor da classe, ter o maior salário ou ser alguém muito famoso. Menos do que isso será considerado sempre muito pouco e, obviamente, motivo de frustração e baixa autoestima.
Basicamente importa ter equilíbrio de forma a não deixar de incentivar a criança a vencer limitações, sem tampouco fazer com que se considere um super-herói, acima ou melhor do que os colegas, adotando posturas prepotentes ou de menosprezo pelos demais. 

Separar o ato do autor também contribui positivamente. Quando seu filho (ou aluno) fizer algo inadequado, evite generalizar; não o critique como pessoa. “Eu já sabia que você era um preguiçoso, mas agora, depois desse boletim, tenho certeza” ou “Nem preciso perguntar quem quebrou o abajur da sala, o desastrado da casa, quem mais?!...” - nada mais eficiente do que ataques pessoais, para fazer com que a criança confirme suas suspeitas: “eu sabia que meus pais (ou professores) não veem mesmo meus esforços, para que lutar?”.
A confirmação da suspeita de que não tem valor pode consolidar o conceito de menosvalia. Se, ao contrário, ao chamarmos a atenção para o que fizeram de errado, fixando o ato em si (“Isso não combina com você” ou “Tenho certeza que você pode fazer melhor”) estaremos possibilitando seu crescimento e a superação do problema, sem abalar a autoestima. As censuras devem dirigir-se ao fato concreto e não à personalidade ou características da pessoa.
Se, por um lado, é essencial que as crianças cresçam com autoestima positiva, por outro é importante rever a interrelação com a questão dos limites. Muitos pais e professores ficam de tal forma absorvidos pelas questões que envolvem a psique (estrutura mental ou psicológica dos indivíduos) que esquecem de trabalhar outras tão importantes quanto, com graves prejuízos para todo o tecido social. Os últimos trinta anos parecem ter sido os que mais mudanças trouxeram para a família. Tanto que os pais se perguntam: qual é, na atualidade, o mais importante objetivo da educação? Desenvolver auto-estima elevada será suficiente? É importante, mas não suficiente. Há outras questões que não podem ser esquecidas. Por exemplo, pais e educadores precisam dar condições para que os jovens consigam se opor às atitudes que contrariem os princípios éticos da sociedade. E opor-se ao grupo demanda alto grau de segurança, além de limites introjetados. Significa que crianças e jovens têm que estar certos de que solidariedade, justiça e honestidade, não estão “fora de moda”. Precisam acreditar que, mesmo quando parte dos homens não respeita esses princípios, não há a mínima condição de viver com segurança sem eles. Criar adultos dignos – tarefa prioritária da família e da escola - depende basicamente de duas coisas: da maneira pela qual nós, adultos, vivemos o dia a dia e da confiança que temos nos valores que guiam nossas ações. É essa confiança que permite a pais e mestres ter segurança suficiente e necessária para dizer “não” às atitudes antissociais - sem medo de que tais interditos venham a constituir elementos que “possam baixar a autoestima”. É necessário não só sermos íntegros, mas também não duvidarmos da força dos nossos princípios. Quando crianças e jovens percebem nos seus mais fortes modelos (pais e professores) segurança inabalável na retidão, na cooperação, na honra – independente do que estejam fazendo os vizinhos, parentes e amigos – eles muito provavelmente também acreditarão. Se, ao contrário, já que há tanta corrupção e impunidade (bem como tanto medo de que crianças e jovens não tenham condições emocionais para suportar limites) e começam a lassear conceitos ou a repetir diariamente “que o Brasil não tem jeito”, em que irão as novas gerações acreditar? O perigo maior para um jovem não são as drogas - é não crer no futuro e na sociedade. A falta de esperança, essa sim, é que pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo exacerbado, ao suicídio, à marginalidade e às drogas. Já a convicção num caminho produtivo a ser trilhado faz com que os jovens progridam, estudem e realizem. 

Muitos acham que ensinar integridade e desenvolver a autoestima são metas incompatíveis ou incongruentes. Ignoram que ambas se desenvolvem basicamente através de exemplos de vida. Se os adultos vivem de acordo com os princípios éticos que defendem, estarão encorajando as novas gerações a seguirem seus passos. Quer dizer, não mentindo, respeitando a lei, não querendo mudar as regras do jogo de acordo com as conveniências, e, especialmente, não disseminando amargura e descrença, simplesmente porque nem todos agem de maneira honesta. Na maioria dos casos, a coerência entre a fala e a forma pela qual vivem será suficiente para que filhos (ou alunos) acreditem nos valores... 

É a nossa integridade que serve de fundamento à construção da identidade cidadã das novas gerações.

(Tânia Zacury)

Criança vê...criança faz...

Para assistir e refletir!



Mentira tem perna curta


Como saber se a criança está inventando uma história cabeluda ou brincando de faz de 

conta.
iStockphotos / Thinkstock / Gettyimages
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Um dos maiores temores dos pais é o filho mentir.  A família perde a confiança e às vezes fica até sem saber como agir.  A psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo, conta que os pais devem corrigir o problema imediatamente quando percebem o que está se passando. A seguir, a especialista dá algumas dicas de como  diferenciar se a criança está mentindo ou brincando de faz de conta e quais são os sinais de que a criança  está mentindo.

Por que às vezes as crianças mentem?

“Mentir é um comportamento comum nos seres humanos e pode ser desencadeado por vários fatores: para fugir de um conflito, para esconder os sentimentos, para evitar um aborrecimento, por prazer, por maldade. Para as crianças entre 3 e 6 anos, quando a linha que separa a realidade da  imaginação é muito tênue, podemos observar que as mentiras são bem frequentes, mas, diferentes dos adultos, nem sempre a criança tem noção clara de que está mentindo”.


Como diferenciar fantasia de mentira, já que as crianças, principalmente as pequenas, adoram usar a imaginação para brincar e contar histórias?


“Isso ocorre aos poucos, no dia-a-dia. Os pais devem deixar claro que, sempre que as crianças estão “inventando” uma brincadeira ou usando da fantasia para imaginar alguma coisa (brincadeiras de faz de conta) deixar explícito que é um faz de conta, ir mostrando a diferença entre o faz de conta e o que é a realidade usando, uma linguagem que a criança entende.

A imaginação é muito saudável, os pais podem e devem incentivar, mas tomar o cuidado para não “confundir” a criança, pois, se os pais demonstram que acreditam “cegamente” no faz de conta, quem poderá servir de referência para a criança? Os pais não precisam “ser crianças” para poder brincar com os filhos, podem imergir no mundo delas mantendo-se adultos e servindo como uma referência do mundo real”.


Quais os sinais de que alguém está mentindo?


“Existem pessoas que quando mentem acreditam tanto naquilo que dizem que é quase impossível perceber. Quando é patológico, chamamos isso de delírio.

As pessoas podem apresentar dificuldade de olhar no olhos, olhar furtivo, sudorese, gagueira, braços cruzados, mas esses sinais são observados com facilidade em quem não está acostumado a mentir.

O “bom mentiroso” é mais difícil de ser descoberto. Existem casos até mesmo de psicopatas que demoram anos a dar sinais de que são pessoas do “mal” e usam a mentira de forma indiscriminada para atingir seus objetivos”.


Como os pais devem agir se perceberem que a criança está mentindo?


“Corrigir de imediato e mostrar que o mentiroso perde a confiança das pessoas. Valorizar o valor da confiança, da palavra dada, da honra, do comprometimento com a verdade. Quando a criança confessar que mentiu, deixar claro que, apesar de ficar chateado, os pais ficam orgulhosos que ele tenha tido a dignidade de confessar.

A história do Pinóquio traz esse conteúdo de forma bem interessante. Aliás, na maioria dos contos infantis, o personagem principal comete algum erro ou mente e depois precisa reparar esse comportamento (Rei Leão, Aladin, Mulan, Pequena Sereia, Enrolados)”.


Quando é hora de procurar ajuda?


“Quando as mentiras passam a ser compulsivas, passam a atrapalhar os relacionamentos e se tornam um comportamento habitual”.

 ( Lia Lehr)

Como lidar com as birras das crianças

Choram, gritam e deixam os pais á beira de um ataque de nervos. Saiba como controlá-las!
Durante a infância, a criança tende a conferir poder aos seus gritos, que contêm também um apelo de reconforto, uma recusa em ceder e, acima de tudo, uma tentativa desesperada para dominar.


Aos gritos junta atos agressivos contra a pessoa que lhe provocou algum tipo de frustração, podendo morder, dar pontapés, atirar os brinquedos e, em desespero de causa, bater com os pés e rebolar pelo chão.
Quando são ainda muito pequenas, as crianças tentam transmitir as suas mensagens de desejos ou necessidades através do choro. Um bebé chora quando sente fome, tentando chamar a atenção do cuidador para que este suprima a sua necessidade. Deste modo, quando a resposta do adulto não é dada com prontidão, a sua ansiedade e insegurança aumentam, fazendo com que a intensidade do choro se eleve.
Ao longo do tempo, por volta dos dois/três anos, a criança vai-se apercebendo que a sua insistência resulta numa resposta mais rápida do adulto. Então, quando deseja algo, passa a utilizar o choro, gritos, pontapés e agressões para transmitir a sua mensagem e atingir um objectivo.
Evite ser permissivo
Para os pais os desafios são cada vez mais numerosos, devido às exigências profissionais e familiares. Por via destes obstáculos, quando estão com os filhos, deparam-se com um sentimento de culpa por não lhes prestarem a atenção devida, o que os faz optar por uma educação de compensação, que facilite todas as tarefas que a criança deve desempenhar, protegendo-a de todos os conflitos e contradições que possam surgir.
Por norma, os pais tornam-se permissivos, para que a criança não sofra qualquer contrariedade no tempo que lhe disponibilizam. Só que deste modo impedem que os mais pequenos cresçam como indivíduos autónomos e responsáveis. Diluem todas as normas já estabelecidas, acabando por lhes alimentar os caprichos, que vão fazer com que se torne conflituosa e com tendência a birras.
A disciplina constitui um ato de amor que os pais podem dar á criança, já que a imposição de limites é absolutamente necessária para um desenvolvimento harmonioso e saudável. Se uma criança viver com base em regras flexíveis e adequadas à sua condição e idade, terá à sua disposição um mundo a descobrir, em que poderá testar essas normas pondo em prática as suas capacidades, sem que as diferentes situações se transformem em obstáculos inultrapassáveis.
As crianças precisam de regras
Os castigos são penas que se impõem como consequência de uma determinada acção, considerada
incorreta pela figura de autoridade. Quando os castigos são prática predominante na educação, surge a tendência para haver uma resposta passiva aos pedidos dos adultos por parte das crianças, impedindo que haja um desenvolvimento de autonomia.
Exagerar nas punições pode também levar ao surgimento de manifestações comportamentais de diversa ordem como sejam as dificuldades em adormecer, diminuição de apetite, aparecimento de tiques, desenvolvimento de fobias de entre outras. Assim, há que acentuar que disciplina não é sinónimo de castigo!
Os castigos devem ser usados como último recurso para que uma situação seja resolvida e que não se volte a repetir. A disciplina ensina-se no dia-a-dia, através de um diálogo afetivo, explicando sempre à criança o que fez de errado e o que pode fazer para corrigir o seu erro.
Seja um pai democrático
Os pais democráticos são afetuosos, comunicativos e sensíveis aos pedidos das crianças. Defendem a explicação do castigo e não cedem a choros, lamúrias e birras. No entanto, são passíveis a mudanças de opinião depois de ouvirem os argumentos da criança.
Exigem à criança um nível de maturidade e independência adequado à idade. Diversos estudos mostram que os filhos deste tipo de pais são os que têm um comportamento mais adequado e níveis elevados de auto-estima e auto-controle. São, regra geral, crianças independentes, afetuosas, persistentes nas tarefas e que se relacionam facilmente quer com os seus pares, quer com os adultos.
Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques 
Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Infantil e do Adolescente



Ensine seu filho a usar o vaso sanitário


A criança pode ser incentivada a usar o banheiro aos dois anos de idade, quando já 
controla o fechamento dos esfíncteres

Photodisc / Thinkstock / Gettyimages
Photodisc / Thinkstock / Gettyimages

Por volta dos dois anos de idade, a criança começa a largar a fralda e usar com frequência o pinico. E quando é o momento de apresentá-la ao vaso sanitário? De que maneira os pais podem estimular o filho a usar o banheiro?
E se a criança ficar com medo do barulho da descarga ou começar a chorar ao ver suas necessidades indo por água abaixo? Para o médico Francisco Lembo Neto, pediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, o melhor momento de estimular as crianças a usar o vaso sanitário ocorre quando elas passam a controlar o fechamento dos esfíncteres.
Por volta dos dois anos, a criança começa a usar o penico. Qual é  o momento de apresentar à  criança o vaso sanitário?


“O controle dos esfíncteres se dá entre meses de vida, com certa margem para mais ou para menos. Inicialmente a criança controla o fechamento dos esfíncteres  e depois a abertura dos mesmos. 

Na minha opinião, sem forçar, a criança deve ser estimulada a usar o vaso sanitário, assim que ela comece a controla os esfíncteres. É preciso paciência, pois muitas vezes a criança retém as fezes e/ou urina e não elimina no vaso sanitário. Assim que sai, elimina os dejetos. Isso ocorre no início, pois só há o controle do fechamento dos esfíncteres”.

É verdade que no começo as crianças deve aprender a usar o vaso sempre sentadas? No caso dos meninos, como ensiná-los?



“O exemplo é o mais importante. O pai deve mostrar ao filho como urinar no vaso sanitário, se este for muito alto, pode ensiná-lo a urinar no ralo do banheiro”.
Tem crianças que ficam tristes e até choram ao ver as fezes irem embora. Por que isso acontece e como os pais devem agir?



“Estas reações da criança acontecem por maus exemplos dos adultos, “histórias inventadas ou casos maus contados. Os adultos devem ser claros e objetivos com seus filhos e explicar o que eles estão eliminando”.



Há crianças que morrem de medo de usar o vaso sanitário, por causa do barulho da descarga, por exemplo. Por que isso acontece e como ajudar a criança a superar isso?


“O vaso sanitário deve ser adaptado para que as crianças possam usá-lo. Os adultos devem educá-los. O exemplo é muito importante” 
                                                                                       (Lia Lehr)