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domingo, 22 de abril de 2012

Um bom motivo para frequentar a Educação Infantil!


Muitas pessoas acham que a função da escola de Educação Infantil é apenas ensinar conhecimentos como letras, números, cores, formas e músicas. Entretanto, entre outros objetivos, estas instituições também têm como grande função a sociabilidade da criança.

Socializar a criança parece ser um processo simples, mas traz em si inúmeros fatores que devem ser esclarecidos para se entender a importância das relações sociais ainda na primeira infância. O processo é simples, pois basta o bebê vir ao mundo para iniciar sua vida social. O contato com a família constitui o primeiro ambiente de interação e vínculos afetivos. Contudo, com o passar do tempo, a convivência só com adultos não é suficiente para o complexo desenvolvimento social da criança. Um exemplo claro disto é que dificilmente parentes ou familiares vão disputar um brinquedo com a criança.
É na escola que a criança amplia sua rede de relações. E é neste momento que grandes desafios e aprendizados estão por vir. Disputar, dividir e negociar materiais e brinquedos torna-se o primeiro e principal obstáculo encontrado pela criança ao iniciar sua vida escola. Um processo lento, porém profundo, vai aos poucos fazer com que as crianças nesta fase sintam a necessidade de regras de convivência e a importância de respeitá-las.
Já comum em muitas escolas, a organização dos grupos de acordo com a idade contribui para que as crianças passem pelos mesmos desafios ao mesmo tempo. Isso faz com que, juntas, as crianças busquem soluções que vão auxiliá-las neste processo. Entretanto, a presença de um profissional capacitado para orientar tal tarefa é fundamental.
É este profissional que, por muitas vezes, vai propor jogos e brincadeiras que exigem das crianças o respeito às regras de convívio social. O “esperar a vez” torna-se fundamental. Ao mesmo tempo em que a criança quer, sozinha, executar sua atividade durante uma brincadeira, ela precisa respeitar a vez do colega sem interferir ou querer fazer por ele.
A partir de atividades como esta, a criança vai, aos poucos, aprofundando sua concepção sobre si e sobre os demais. Isto se torna importante na medida em que constitui a base para a definição de sua individualidade e personalidade.
Conviver com outras crianças também propicia a descoberta de interpretar o ser interpretado. Sendo assim em inúmeras situações que ocorrem no cotidiano escolar, as crianças vão perceber que suas atitudes refletem no meio em que estão.
Momentos de contato com crianças de idades variadas também são fundamentais para o desenvolvimento social na infância. Observar como as crianças mais velhas agem e o que elas já são capazes de fazer oferece subsídios para o desenvolvimento da criança. Querer fazer aquilo que um amigo faz, motiva a criança a buscar o conhecimento para tal. É a partir daí que muitas teorias e práticas pedagógicas sócio-construtivistas se baseiam.
Perceber a importância da Educação Infantil no desenvolvimento das crianças em seus diversos aspectos, inclusive social, é permitir que a criança se reconheça como única e se desenvolva amplamente em um período em que todos aprendizados se solidificam e formam a base que vai sustentar essa criança pelo resto de sua vida.

terça-feira, 6 de março de 2012

As mordidas na escola

Não é raro encontrar queixas de pais que, ao buscarem seus filhos na escola os encontram mordidos por algum coleguinha. Geralmente são crianças pequenas, que estão aprendendo a dividir seu espaço com outras crianças da mesma idade. Nesse período estão aperfeiçoando seus sentidos e agora fora dos cuidados dos pais e precisando dividir a atenção dos adultos com outras crianças. Não é fácil para os pais assimilarem essas mordidas sem mágoa ou indignação de alguém, que não se conforma com a situação ao ver seu filho tão desprotegido, agora marcado pelos dentes de um colega. Tão desagradável quanto, é a situação dos pais da criança que morde. E assim uma cascata de cobranças começa em cima da escola, por não ter profissionais suficientes. E se tem, não estavam atentos aos ocorridos. Vale lembrar que as crianças estão em fase de amadurecimento e consequentemente estão aprendendo a exteriorizar suas angustias; medos, frustrações, anseios e descobertas. Através do sistema nervoso central começam a elaborar o tato, o olfato, o paladar, a visão, e a audição. Consequentemente com as novas descobertas aprendem a usar as mãos, os dentes, como instrumentos de defesa. Numa fase anterior, talvez tenha sido o choro o instrumento mais usado para marcar a atenção. Não é fácil para a criança aprender a conviver com outras crianças da mesma faixa etária, que também disputam atenção. A mordida faz parte dos mecanismos de defesas mais primitivos do homem. Quando ele não consegue outra forma de comunicação, ou explorar o ambiente da forma que lhe agrada é possível que use esse artifício para marcar seu espaço. Cabem aos pais, professores, não supervalorizarem a mordida em si, e sim as causas que levaram uma a morder, e a outra a permitir ser mordida. Quanto à escola, sabendo que está engajada com crianças que estão na fase de dividir, interagir. E se para nós adultos isso já não é tão simples, imagine para uma criança. É necessário trabalhar de forma lúdica pedagógica os sentidos, os gostos, o afeto e a divisão de espaço necessária para uma boa convivência. Acredito ainda, que os pais devam ficar cientes que isso é um fato comum nas salas de aula onde convivem crianças que estão ainda em fase de amadurecimento do Sistema Nervoso Central. Elas experimentam as reações dos outros através de suas ações e conseqüências. Os adultos necessitam usar de coerência e não supervaloriza a mordida. Muitas vezes, crianças que mordem na escola são crianças mais possessivas que querem atenção exclusiva, filhos únicos, filhos de pais que estão em processo de separação, ou ainda crianças que estão com irmãozinhos recém nascidos em casa. De alguma forma ele precisa extravasar suas angustias e ansiedades. Como ainda não tem um repertório de vocabulário eficiente para comunicar-se utilizam o mecanismo da mordida como manifesto. Um trabalho em grupo, com argila, onde se trabalha a função da boca, dos dentes, da língua, da saliva, dos lábios, etc., acaba sendo um instrumento pedagógico bastante eficaz. Desta forma ele vai assimilar as funções e consequentemente o professor vai poder interpretar melhor a conceito interior de seus conflitos internos. A questão da mordida deve ser trabalhada dentro da escola. E as causas das mordidas precisam de uma avaliação mais minuciosa entre os pais e a equipe pedagógica, para juntos reconquistarem a harmonia entre os pequenos, os pais e a escola. Vale lembrar que somos todos inocentes, tanto a criança que agride através da mordida, expressando seus conflitos internos, quanto à criança que não aprendeu seus mecanismos de defesas. Os pais que entram em angustias ao defenderem seus pequenos, quanto à escola que depara com essa situação e muitas vezes se sente impotente ao receber o rótulo de negligente. A coerência entre os adultos é a melhor forma de suavizar esses pequenos conflitos diante da vastidão de angustia do mundo dos adultos.
(*) Albertina de Mattos Chraim – Psicopedagoga do La Vie Centro de Revitalização